Mudanças

climáticas

Em 2017, a AMAGGI empenhou esforços em aperfeiçoar a elaboração de seu inventário de gases de efeito estufa – abrangendo AMAGGI Agro, AMAGGI Commodities, AMAGGI Logística e Operações e AMAGGI Energia –, já que as emissões constituem um tema material para a empresa.

Desse modo, foram contratados especialistas para contabilizar as emissões e remoções de gases de efeito estufa do setor agrícola, o que resultou em diversas melhorias, como atualizações, ajustes nos cálculos e forma de coleta dos dados. A proposta está de acordo com a estratégia da AMAGGI de suprir todos os gargalos que ainda existam, para que em 2018 possam ser revisadas as metas de redução até 2025.

Dentre as melhorias aplicadas ao inventário em 2017, destacam-se os ajustes na contabilização das emissões pelo uso de fertilizantes nitrogenados e ureia: antes da revisão, considerava-se a quantidade total desses insumos, superestimando-se assim as emissões da companhia; para adequar-se a métodos de cálculo internacionalmente reconhecidos e alcançar resultados mais fidedignos, no último ano a AMAGGI passou a considerar, em seus cálculos, apenas o percentual de nitrogênio que compõe esses insumos. Cabe destacar que essa melhoria também foi aplicada ao inventário de 2016, o qual foi recalculado seguindo o novo método.

Esse ajuste produziu mudanças significativas nos dados de Escopo 1 divulgados anteriormente pela AMAGGI: no inventário de 2016, as emissões de Escopo 1 foram contabilizadas em 798.011 tCO2e; após o recálculo, elas caíram para 344.391 tCO2e.

Além disso, foram inseridos nos cálculos dos inventários de 2016 e 2017 os dados relativos aos resíduos de cultura, como a palha do milho deixado sobre o solo após a colheita. Essa nova fonte de emissões representou um incremento de em média 20% das emissões de Escopo 1 dos inventários de ambos os anos, como será detalhado mais adiante.

Abaixo são apresentados os resultados dos inventários de emissões de gases de efeito estufa referentes a 2017 e 2016, já recalculados de acordo com o novo método.

EMISSÕES DE GASES DE EFEITO ESTUFA (tCO2e)

Os detalhes e justificativas de variações de cada Escopo (1, 2 e 3), bem como das emissões e remoções de CO2 biogênico, estão descritas a seguir.

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    VARIAÇÃO ESCOPO 1

    No Escopo 1, são contabilizadas as emissões referentes à operação própria de cada uma das quatro áreas de negócios da AMAGGI. As variações entre 2016 e 2017 refletem o aumento de produtividade obtido pela companhia de um ano para o outro, tendo em vista que a AMAGGI Agro cresceu 18% na produção do algodão, 15% na produção de milho e 8% na produção de soja, o que elevou significativamente o consumo de fertilizantes. Já a AMAGGI Logística e Operações aumentou em 16% o volume de grãos transportados, o que tem impacto direto no consumo de diesel pelas embarcações operadas pela empresa. Todo esse crescimento demandou maior consumo de combustíveis, utilizados por maquinários e embarcações, e insumos em geral. O óleo diesel consumido, por exemplo, aumentou em 11% de 2017 para 2016.

    A mudança no uso do solo também foi importante para o aumento das emissões de Escopo 1 em 2017, visto que a AMAGGI converteu uma área equivalente a 4.529 hectares de plantação comercial de seringueiras para cultivo de outras culturas. Essa emissão representou 51 mil tCO2e, correspondente a 11% do total de Escopo 1 da companhia.

    Outro ajuste introduzido no inventário de 2017 foi a inclusão da contabilização dos gases N2O e CH4 no percentual de biodiesel presente no diesel brasileiro; essa defasagem no inventário de 2016 pode representar um crescimento de aproximadamente 3% nas emissões do Escopo 1 daquele ano.

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    VARIAÇÃO ESCOPO 2

    No Escopo 2 são reportadas apenas as emissões referentes ao consumo de energia elétrica pelas quatro áreas de negócios da AMAGGI. Nesse escopo, registrou-se, no último ano, um aumento de cerca de 18% nas emissões de CO2e, causado principalmente pelo crescimento da produtividade de todas as áreas de negócio da companhia, mas em especial pela ampliação das operações da fábrica de esmagamento de grãos em Lucas do Rio Verde. O consumo total de energia elétrica da AMAGGI foi de 79.907 MWh em 2016 e de 93.848 MWh em 2017. Vale ressaltar que o fator de emissão também foi atualizado, conforme dados divulgados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTI). As emissões das unidades da AMAGGI localizadas em Itacoatiara também foram recalculadas, pois a região em que esse município se situa não está ligada ao Sistema Interligado Nacional (SIN) de eletricidade do país, contando com um sistema isolado de abastecimento de energia, cuja origem é termoelétrica.

    A AMAGGI possui ainda cinco pequenas centrais hidrelétricas, que, em 2017, geraram 427.406 MWh de energia renovável, os quais foram inseridos no grid brasileiro.

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    VARIAÇÃO ESCOPO 3

    No Escopo 3 são contabilizadas as emissões indiretas, ou seja, aquelas ocasionadas por empresas terceiras em função da prestação de serviços à AMAGGI.

    Em 2017, a companhia considerou no Escopo 3 de seu inventário as principais fontes de emissão provenientes de sua cadeia de valor, tendo sido contabilizadas as emissões pela produção, por empresas terceiras, dos principais insumos agrícolas adquiridos (fertilizantes, ureia, sementes, calcário, entre outros), bem como as emissões de viagens aéreas e dos transportes para escoamento de produtos.

    Houve aumento de mais de 20% das emissões em relação a 2016, gerado principalmente pelo crescimento da produção e originação de grãos em 2017, além do aumento na produção de fertilizantes na unidade de mistura da AMAGGI em Comodoro, Mato Grosso, que demandaram maior quantidade de caminhões e trens para o escoamento dos produtos. Todo transporte realizado por rodovias e ferrovias é terceirizado e segue até os consumidores internos ou portos para envio ao mercado internacional. As emissões de transporte correspondem sozinhas a cerca de 600 mil tCO2e do Escopo 3.

    Buscando minimizar este impacto, a AMAGGI conta com a inteligência logística, que vem buscando cada vez mais soluções sustentáveis para seus negócios como, por exemplo, a intensificação do uso do modal ferroviário e o transporte fluvial como alternativas, o que tem permitido o aumento significativo de suas operações sem impactar tão fortemente as emissões de gases de efeito estufa, que são mais afetadas pelo modal rodoviário. Observa-se que a AMAGGI possui barcaças e empurradores próprios para transporte fluvial, assim como possui e opera portos em pontos estratégicos do país, cujas emissões são contabilizadas no Escopo 1, referente às emissões diretas da companhia.

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    VARIAÇÕES DAS EMISSÕES BIOGÊNICAS

    As emissões biogênicas são aquelas oriundas da combustão de biomassa (como o eucalipto ou as cascas de soja e de arroz) e de biocombustíveis (como o etanol ou o biodiesel de cana-de-açúcar, entre outras fontes). Essas biomassas provêm de um ciclo biológico curto, e suas emissões são consideradas neutras, pois o CO2 liberado na atmosfera durante sua queima é equivalente àquele retirado da atmosfera durante o processo de fotossíntese ao longo do período de crescimento da planta.

    A utilização desses combustíveis renováveis revela o compromisso da AMAGGI com a sustentabilidade, já que eles substituem os combustíveis de origem fóssil.

    No entanto, vale ressaltar a conversão de 4.529 hectares de seringueira na fazenda SM3 B, onde 100% do CO2 emitido foi contabilizado como biogênico, resultando em um aumento significativo do escopo. Além disso, os gases CH4 e N2O foram contabilizados entre as emissões de CO2e do Escopo 1.

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    VARIAÇÕES NA REMOÇÃO BIOGÊNICA DE CARBONO

    Neste escopo, calcula-se o fluxo de carbono removido da atmosfera e diretamente relacionado às atividades da AMAGGI. Para o inventário, são consideradas as seguintes fontes de remoção: áreas florestais em crescimento, contabilizando-se a biomassa acima e abaixo do solo; incorporação de carbono no solo a partir do melhoramento das práticas agrícolas e de manejo.

    Em 2017, mais de 310 mil tCO2 foram removidas da atmosfera pelo plantio de florestas comerciais de eucalipto, seringueira e acácia – as quais futuramente servirão para uso energético dentro da própria empresa.

    Já as incorporações de carbono no solo representaram, no último ano, cerca de 220 mil tCO2 removidos da atmosfera – um resultado obtido principalmente pela prática de plantio direto, que consiste em manter a palhada na área pós-colheita para cobertura e proteção do solo, em vez do plantio convencional.

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    ESTOQUE DE CARBONO

    A AMAGGI mantém em suas propriedades, sejam elas próprias ou arrendadas, áreas de preservação permanente e reservas de mata nativa, as quais representam 97.849,84 hectares.

    O estoque de carbono relacionado a essas áreas alcança cerca de 50 milhões de tCO2 estocados, refletindo o compromisso da AMAGGI em manter seus negócios com foco na sustentabilidade.

GESTÃO DE RISCOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

As mudanças climáticas afetam a produção agrícola de diferentes formas. As alterações nas temperaturas podem ocasionar eventos extremos como seca ou chuva, o que contribui também para que pragas e doenças se multipliquem. Além disso, o aumento de gás carbônico (CO2) na atmosfera influencia o volume da produção e altera a intensidade da colheita.

Outro risco relacionado às mudanças climáticas é a alteração no regime de chuvas, que impacta as operações fluviais e a geração de energia. O volume do rio é fundamental para as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e para o transporte fluvial. A estiagem prolongada dificulta o carregamento das balsas. Já a elevação excessiva do nível dos rios pode facilitar as quedas de troncos de árvores, danificando as embarcações. Nas indústrias, durante os períodos de chuva intensa, o consumo de biomassa e de energia aumenta. O armazenamento de grãos também é influenciado pelo clima. Quando a temperatura ambiente aumenta, é preciso acionar os ventiladores dos armazéns para evitar que a soja “queime”, o que também eleva os gastos com energia.

A redução da produtividade impacta as vendas e, como consequência, os resultados econômicos. Além disso, como a AMAGGI opera com commodities, o resultado da safra de outros países também pode representar riscos ou oportunidades decorrentes da oscilação do preço do produto no mercado.

Para gerenciar esses riscos e melhorar a produtividade, a AMAGGI tem investido na geração de conhecimento e em novas tecnologias. A produção também tem sido adaptada com o uso de sementes melhores e o controle mais efetivo das pragas. Ao identificar e mitigar esses riscos, a empresa aumenta sua eficiência operacional, transformando os riscos em vantagem competitiva.